Coleta seletiva já é sucesso no Rio

EPA - Jornal de Bairros
Carla Ramos e Lilian Christine

No dia 4 de outubro é comemorado o dia Internacional da Ecologia. De acordo com o minidicionário da língua portuguesa Aurélio, ecologia é o estudo das relações entre os seres vivos e o meio onde vivem, bem como de suas recíprocas influências. Se levarmos em consideração que atualmente a produção anual de lixo em todo o planeta é de cerca de 400 milhões de toneladas, e aliado ao mais recente informe do Fundo das Nações Unidas para as Populações (UNFPA), que diz que já no ano próximo, isto é, em 2008, mais da metade da população mundial – 3,3 bilhões – viverá nas cidades e, nelas, pelo menos um bilhão de pessoas habitarão em favelas na mais absoluta miséria, para que haja condições ambientais favoráveis à vida das futuras gerações e uma melhoria da qualidade de vida atual, faz-se necessário o desenvolvimento de uma consciência ambientalista.
Um artigo publicado no site AjudaBrasil informa que nosso país produz diariamente 240 mil toneladas de lixo, onde apenas 2% é reciclado, sendo que na Europa e nos EUA o percentual é de 40%. Felizmente, iniciativas como a da ONG Reviverde ajudam a modificar este quadro no país. Fundada em 2000 por ambientalistas, a Reviverde se propôs a desenvolver um trabalho de educação ambiental junto aos moradores da Barra da Tijuca, Recreio e São Conrado, através da implantação da coleta seletiva de materiais recicláveis. No condomínio Les Résidences Saint Tropez, localizado na Barra da Tijuca, por exemplo, a receptividade dos moradores e funcionários foi imediata. Toda semana um caminhão recolhe os materiais separados que vão para as usinas de reciclagem nos 8 blocos de apartamentos. São arrecadados cerca de 1 tonelada de material em cada bloco.
Este mesmo trabalho começou a ser realizado há cerca de dois meses atrás na Tijuca, com a adesão do condomínio Portal da Tijuca, que possuí 490 apartamentos divididos em 3 blocos. Toda semana, às quintas – feiras, o caminhão de coleta do Disque-Carga faz a coleta do material reciclado pelos moradores. O gerente administrativo Maurício Rego Barros Pereira, 39 anos, afirma que a limpeza e o odor nas lixeiras melhoraram muito, sem contar é claro que o que é ganho com a reciclagem é revestido em lucro para o condomínio, através da compra de material de limpeza, como sabão e sacos plásticos. – “Também possuímos um programa de premiação para o funcionário, com sorteios de brindes, cesta básica e churrascos de confraternização. Outro ponto positivo para os moradores foi evitar que os sacos de lixo continuassem a ser rasgados e espalhados pelos catadores de lixo, que precisam desse trabalho para sobreviver, além é claro de ajudar a Comlurb, que tinha o seu trabalho retardado pelo fato do lixo ficar todo espalhado”.
Segundo a moradora Neli Santos Silva, 62 anos, a reciclagem é uma solicitação antiga e está sendo muito bem - vinda: “Moro aqui há 12 anos e sempre achei um absurdo a quantidade de lixo que tinha lá pra fora, o pessoal rasgava aquilo na calçada, e ficava um aspecto horrível. Gostei da atitude do síndico. Meu prospecto está colado na geladeira ao lado da pia, para a minha empregada ver como é que se faz”.
De acordo com a Presidente da Ong Regina Laginestra, de 57 anos, mais de 50 condomínios de todos os tamanhos, inclusive comerciais e empresas, já realizam a coleta seletiva, como a Shell Brasil, a Gafisa e Claro Telefonia: – “O que todos precisam refletir é que, apesar de ser um trabalho de “formiguinha”, a coleta seletiva traz resultados imediatos, já que o aterro sanitário vai ter sua vida útil prolongada, recebendo menor quantidade de lixo reciclável, haverá uma maior geração de empregos nas empresas de sucateiros e nas cooperativas, uma diminuição da extração de recursos naturais, e uma incrível economia de água e energia na produção do produto reciclado. Em resumo, a coleta seletiva é a única solução para garantirmos um futuro melhor para as gerações que virão depois de nós”.

 

 

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